minha nêga não sabe o que eu sei

e olha que ela é bamba. ela gosta de samba, de maçã e de homens que entendam deus. ela tem duas tatuagens e gosta de sexo. ela mora no mar, mas não brinca na areia. ela tem medo de gente. ela tem vontade de gente. ela gosta de música. ela brinca com a aritmética do livro dos prazeres. a nêga cospe fogo, mas está em extinção. ela é minha e ela também sou eu.

vendredi, juillet 14, 2006

existo (de vez em quando)

daqui a pouco vem o trem do outro clima. por ora, 10h59 em petrópolis, cti.

Saía da cama na ponta do pé

Mas era justamente nesse momento, em que vozes altas me faziam bololôs neurotransmissores, que meu estômago coçava de amor. Às beiças de um encontro entre batom e gordurinhas, tive uma síncope nervosa e manquei sinceramente. Sim, eu manquei por quinze dias conscientemente, até que um beijo entre as partes me fizesse querer a liberdade pelos corredores daquela galeria imunda. Um beijo entre as partes no elevador da casa da minha avó. As minhas partes finalmente juntas, embora eu jamais tenha feito suco de uma laranja inteira. Jamais.

Nada do que eu falo é verdade. Você está ouvindo? Eu falo baixo e praticamente não existo. Pavor de altura, pavor. Ânsia por nomenclaturas com dábliu, nervosinhos internéticos, vertigem de design. Esta sou eu, intergalaticamente inaquicessível, incontaquitável, impalatável. E incacetável também, há mais ou menos uns dois anos. Ô, meu senhor... Nada do que eu falo é verdade. Falo baixo, falo muito baixo. E provavelmente vou morrer de amor.


julho/2006