roupa de festa
limpo, lavado e passado. a seco.
Sara, Yeye
São do campo as flores que em preciosas pedras me trazes destes teus mares, em ondas de sonho e areia de cores. São de amores os sonhos. É de vida este sal na boca, o céu amargo, o gosto muito azul, a pele negra, curtida. De concha as tocas do corpo que em toques enlaça e percorre e corre e corre e grita. Venha cá, não morra. Vem me ver.
De água a cabeça que esquenta em litros de mar fervente, e queima. As pedras brancas trazem a lisura num verde muito limpo, muito claro, bufante qual anágua engomada numa tarde inteira de sol a pino. Teus cabelos. As curtas estrelas do mar, pequenas ainda com vida, crescendo na cerâmica de cor vibrante, quadrada, da asa quebrada. Um cérebro lancinante, de sereia pra dentro e pra fora, de rabo de peixe que sobe e balança, de escama que tira e entorta a cara, e medra todos aqueles que têm coragem.
É de pescar o sonho da rede que enfrenta a onda e espanta a espuma. Pesada a pisada dos pés na areia batida. São quatro, que correm e puxam pela cintura. Tira esse bico, baleia. Afasta esse corpo, aprende esse branco, sossega essa língua que passeia.
Leão toma banho de mar, sacode a juba de flores e põe a cabeça na esteira. É o mal que se foi, nadando nas águas do rio.
dezembro/2005

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